A partir do momento que abrimos as portas para a inclusão,tornou-se esta uma das metas doProjeto Político Pedagógico Reencantar.Temos um sonho de que a inclusãonão seja mais que uma discusãoentre professores que querem ou nãoficar com determinada criança.Temos que nos perguntarcomo encaramos a humanidade,semelhantes ou diferentes.Se tivermos um conceito de semelhança,não estaremos preparados para a inclusão,pois numa sociedade inclusivateremos que lidaracom vários modelos diferentese ter uma ética inspirada na diversidade.Teremos que nos perguntar quem é esta criançaque esta na sala de aula,teremos que ver ou perceberse sua deficiência é visível ou não,e até onde vai seus limites.Os profissionais (professores e funcionários)que lidarem com a criança de Inclusão,terá que fazer uma revisão de seuspróprios conceitos.
PROJETO
POLÍTICO
PEDAGOGICO
REENCANTAR
A ESCOLA
E um lugar onde se faz amigos, Não se tratam só de prédios, salas, quadros, programas, horários, conceitos... Escola é, sobretudo gente, gente que trabalha, que estuda, Que se alegra, se conhece, se estima. O Diretor é gente, o coordenador é gente, o professor é gente, o aluno é gente,cada funcionário é gente. A escola será cada vez melhor, na medida em que cada um se comporte como colega, amigo, irmão. Nada de “ilha cercada de gente por todos os lados”. Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir que Não tem amizade a ninguém, nada de ser como o tijolo que forma a parede, indiferente, frio, só. Importante na escola não é só estudar, Não é só trabalhar, É também criar laços de amizades, É conviver, é se “amarrar nela!” Ora, é lógico...Numa escola assim vai ser fácil Estudar, trabalhar, crescer, fazer amigos, educar-se, SER FELIZ!
Paulo Freire
Este ano (2003) assumiu o cargo de A. T. E. I. A partir daí passei a trabalhar das 09h00 às 17h30 sendo:
Das 09h00 às 11h00 acompanhando o aluno de inclusão Vinícius.
Das 12h00 às 13h20 acompanhando o aluno de inclusão Roberto.
Das 13h30 às 14h30 acompanhando a aluna de inclusão Bia.
Das 15h20 às 16h20 acompanhando o aluno de inclusão Paulo.
APRESENTAÇÃO
Em toda nossa Escola tem dez alunos de inclusão, não acompanho todos, porque o tempo entre um e outro não permite. Também não sei o nome de todos, mas sei quem são. Devo dizer que é mais difícil lidar com os pais que com as crianças. Quando me atribuíram a tarefa de acompanhar os alunos de Inclusão, eu tive a opção de aceitar ou não. Aceitei e não me arrependo. Só sinto que poderia fazer muito mais do faço. Mas não consegui achar esse “mais”. E isso me deixa com uma sensação estranha, de estar fazendo algo pela metade. Nunca me deu vontade de abandonar tudo, mas já deu vontade de sair correndo. Não gosto da palavra inclusão. Não acredito que para a criança estar na escola, seus direitos tenham que estar garantidos em algum estatuto, que é muito bonito no papel, mas na pratica é uma calamidade. Acredito que seu direito tem sim que estarem garantidos, mas só pelo fato de serem crianças. Não se esquecendo que a propaganda que o governo faz a todo instante é: “lugar de criança é na escola”. Não se especificando um tipo, mas apenas crianças.
REUNIAO/ONG
Nos dias 17 e 18 de março de 2003, eu e a profª. Alcione participamos de uma oficina sobre “Ação Comunitária” em busca de uma “sociedade Inclusiva”. A Assistente Social Nina que falou sobre Serviço Social, disse que já tinha estado com vários grupos, mas que nunca encontrou um grupo igual ao nosso, com um número tão grande de crianças de inclusão. Conversamos com várias pessoas, quase todas trabalhavam com inclusão, é bem verdade que em quantidade bem menor que a nossa do Canavó. Conhecemos a Senhora que cuidou do Vinícius quando pequeno, da Bia e da Mayara.
VINÍCIUS
Vinícius iniciou aqui na emei no ano de 2001, ele ficou com a profª Adriana Márcia. Neste ano a professora Jane tinha horário de parque na hora do lanche da Adriana e quase sempre ela levava o Vinícius com ela para o parque. Um dia o Vinícius subiu pela pedra e foi um Deus nos acuda. Nesta época quem ajudava a professora era a dona Graça e a Silvana, que estavam sempre por perto quando o bicho pegava. Vinícius ficava na EMEI até às 09h00, depois eu ficava com a sala para Adriana tomar café.Este foi o primeiro ano de criança de inclusão no canavó.Nunca tinha tido contato com criança com qualquer tipo de deficiência, e sinceramente, não gostei da experiência, Vinícius dava muito trabalho, não entendia como Adriana agüentava, não falava, vivia pelos cantos, babava, na verdade era um saco. Algum tempo depois encontrei a mãe do Vinícius dentro da lotação. Quando ela me viu fez um monte de perguntas sobre o Vinícius, fui respondendo e me surpreendi em saber tanto. Achei que fosse chorar, me agradeceu por cuidar dele, mesmo eu falando que eu não cuidava dele. Me disse que era muito importante ouvir outra pessoa falar do Vinícius, que não fosse a professora Adriana e a Silvana. Fiquei com a certeza que ela achava que as duas mentiam. Talvez também não tenha acreditado quando eu disse que a dona Graça um dia trocou as fraudas dele.Acho que foi a partir daí que passei a ver o Vinícius com outro olhar de outra forma que não fosse aquele “ele é deficiente” ele é apenas uma criança.Mesmo assim eu só tive contato com ele este ano de 2003, quando ele ficou com a professora Jane. O ano passado ele ficou com a professora Luciene.
Vinícius, quando chega as crianças já estão tomando o lanche, eu vou busca-lo no portão e por poucas vezes ele tentou mudar de direção. Ele fica sentado mas não quieto, a Jane sempre deixa ele do lado da aluna Jenniff, que gosta muito dele e é a única que ele tem um pouco de tolerância. Mesmo assim de vez em quando ela leva umas cabeçadas, e pode ter certeza dói pra caramba, já levei uma e pretendo que seja a última.Em seguida, após o lanche a Jane o leva para a sala e vai para o parque. Eu fico com os alunos, vamos para a sala e depois para o parque. É levado a banheira com areia para o Vi brincar, mas ele tem perdido cada vez mais o interesse pela areia, prefere ficar brincando no gira-gira ou no escorregador, mas não escorregando, se pendurando igual a um macaquinho, O mais impressionante é que ele não cai.
O Vinícius é parecido
com uma caixa de surpresa,
nunca sabemos como ele chegará,
calmo e tranqüilo
ou
agitado e nervoso.
A sala da Jane não era fácil, eu fiquei quase dois meses indo ao banheiro com eles divididos, primeiro meninas depois meninas, ou vice-versa, só nas ultimas semanas e que estou levando a turma toda ao banheiro. Na sala as vezes eu fico com o Vi, mas é só quando ele quer, porque é sempre ele que me procura, confesso que tenho um pouco de medo dele, se pelo menos ele falasse, mas só fica olhando pra gente e ri, apesar de que eu e a Jane termos quase certeza que ele não ri pra gente, ele ri da gente.
DESCOBRI QUE
ANTES DE BATER
O VINÍCIUS COLOCA
OS DENTES DE CIMA
EM CIMA DO LÁBIO INFERIOR
Já faz duas semanas que o Vi esta usando o banheiro. No começo ele não gostou. Mas agora quando quer fazer xixi puxa a Jane pelo braço. Vale lembrar que foi na escola que ele saiu das fraudas. Um dia a Jane olho pra mim e disse: O que você acha de tirar as fraudas do Vi e ensinar ele a usar o banheiro? Sinceramente não lembro o que respondi.
Quando o Vi fica nervoso
faço carinho na orelha dele
e ele se acalma. Mas não é sempre que funciona.
Quando ele esta com a macaca,
é melhor deixa-lo se acalmar sozinho.
Lendo o relatório que a mãe do Vi escreve todo fim de semana, surge uma dúvida: Em um trecho ela diz: - “quando ele quer algo que não damos, faz birra, não amolecemos e ele nós dá beijos”. Na escola quando não damos o quer, faz birra, se joga no chão, bate em qualquer um que se aproxime dele, ou simplesmente se bate, a cabeça, os braços, as pernas. Temos que segura-lo, caso contrário acaba se machucando. Quando percebe que não vai conseguir o que quer, fica quieto e começa a chorar, um choro muitas vezes sem lágrimas. O mais engraçado é que em casa ele beija e na escola ele bate.
ESTAMOS FALANDO DA MESMA CRIANÇA? São Paulo, 16 de junho de 2003.
Vinícius hoje estava terrível. Não queria ninguém perto dele, Estava estressado, Mau humorado, De ovo virado. Distribuiu cabeças para todos os lados. Pelo menos uns seis alunos levaram as famosas cabeçadas. Os alunos não revidam quando o vi bate neles. Eles riem, acham engraçados, mas dá para perceber que doeu.
RETORNO DAS FÉRIAS
De início percebemos que Vinícius estava resistindo ao toque. O que não mudou foi sua malandragem continua fazendo as mesmas coisas. Uma delas quando a Jane dá duro nele, me transformo em sua melhor amiga. Também não quer ir ao banheiro, mas achamos porque não é o mesmo que estava acostumado.
Outro dia, não me lembro a data exata, fui buscar o Vi no portão do estacionamento, neste dia foi a mãe que o trouxe. Ele tinha nas mãos um fio de quase dois metros, peguei o fio e entreguei a mãe. Quando ela se virou, ele não quis mais entrar, calçou o portão com o pé e foi um duro tirá-lo de lá, isto porque quando ele quer algo tem a força de um homem adulto. Ele caiu no chão, ou melhor, se jogou. Eu me virei para levanta-lo e ouvi a Anete dizer:- Vi levanta e vai com a Ivanete. Até parece que ele obedeceu Pensei que fosse me ajudar, como a ajuda demorou, olhei e ela já estava no escadão indo embora. Parecia até a música “toma que o filho é teu”. Levei quase dez minutos para conseguir tira-lo do estacionamento. Minha sorte foi que Dona Graça veio abrir o portão para uma mãe e me ajudou. A Jane tomou um susto quando nós viu, pensava que o Vi tinha faltado, afinal o recreio já estava quase no fim. Jurei nunca mais tirar nada da mão dele, nem que seja um trem.
Hoje pela primeira vez em três anos fiquei sozinha com o Vi. A Jane estava dando uma atividade e ele estava muito agitado, rindo muito. Então sem muita coragem resolvi leva-lo ao parque. O que poderia acontecer? Ele é só uma criança! Meu medo era que ao sairmos da sala ele quisesse ir em outra direção e eu não conseguisse segura-lo, não aconteceu nada disso, peguei na mão dele e ele me seguiu. Alias o Vinícius sempre nós surpreende. Ficamos uns 15 minutos no parque o suficiente para ele se acalmar e eu também. Parecia que ele queria ir no gira-gira e escorregador ao mesmo tempo, pois não parava em nenhum dos dois. A hora de voltar para a sala, ele voltou numa boa.
PASSEIO NO PICO DO JARAGUA
O Vi foi no passeio, quando o ônibus chegou foi o primeiro a entrar no ônibus, ficou sentado no primeiro banco, junto com a Marisa, bem comportado, até parecia gente grande.Quando o ônibus saiu, a Jane achou melhor muda-lo de lugar, então ele passou para o banco de trás.No trajeto a Jane deu seu lugar para a Cecília, ele olhou para ela (o Vi) e delicadamente a empurrou e ela foi obrigada a levantar-se do banco. Lembramos que ele não tinha nenhum contato com a Cecília. Eu sentei perto dele e ficou tudo bem.Chegamos no parque e fomos direto para o banheiro e em seguida fomos lanchar, pois muitos já reclamavam de fome e já era quase 09h00.Enquanto os outros alunos trouxeram as mochilas recheadas de coisas gostosas, Vinícius trouxe apenas um pacote de bolacha de chocolate recheada e uma garrafa de água vazia.É lógico que ele ficou desesperado querendo pegar o lanche dos amigos, a Jane acabou comprando de um outro aluno um pacote de salgadinho para ele.Vinícius se divertiu muito, foi em todos os brinquedos, tirou fotos, correu a vontade, porque o que não faltava era espaço.Como não teve “ninguém” para atrapalhar o motorista, chegamos no horário.
O Vi hoje repetiu o comportamento da última sexta-feira. Tomou o lanche sempre me testando se estava distraída para correr para a cozinha. Comeu bolacha com margarina e doce de leite, lutei para que usasse a colher, mas a jogou no chão e comeu com os dedos. Mesmo assim insistimos, eu e a Ivanete. Fomos ao parque e lhe ofereci o tanque de areia, diferente da última sexta-feira brincou um pouco, correu por todo o parque, mas desta vez, não foi para a escada que dá para o fundo da escola, “a antiga pedra que gostava de escalar na época da Profª. Adriana Márcia e Luciene”. Na sexta feira tive que correr muito atrás dele, pois insistia em correr em direção a escada, foi quando resolvi senta-lo no chão e brigar sério com ele, ficou nervosíssimo, me chutou, tentou puxar meus cabelos, mas não deixei, ai ele chorou. Desta vez vi um pouco de lágrimas. Deixei que chorasse um pouco, depois conversei com ele. Fiz carinho no seu rosto, ficou calmo e de resto ficou tudo bem.Hoje foi mais ou menos igual, só que não insistiu muito em fazer suas mal criações habituais. Após o parque fizemos uma pintura, alias o Vi tem se interessado em trabalhar com as bisnagas de tinta. Antes eu abria e lhe oferecia a tinta, agora coloco as tintas na mesa e ele vai pegando, só supervisiono para ele não exagerar na quantidade.Hoje fiz a saída na sala de aula, pois precisava falar com os pais sobre o ato de paralisação. Bom o Vinícius ficou com a Ivanete na sala sentado sem problemas.A busca por um novo tratamento para o Vi é sem dúvida reinventar, um novo sentido de viver e promover a própria vida. Talvez essa seja até aqui a minha intenção: buscar um novo sentido para a vida do Vi. E talvez essa seja a metáfora adequada para a descrição do nosso trabalho com o Vi.
Com efeito nele se encontra a necessidade do olhar novo, que se embarace em idéias preconcebidas ou preconceitos normativos, um processo de analise que vem “de baixo”, que se apóia na emperia e progride, passo a passo, a partir de induções, e por fim a utilização de metáforas que, como peças de um quebra-cabeça, se ajustam, por vezes com dificuldade, ate construir, in fine, uma figura significante. O sentido não é imposto do exterior, mas, isto sim, procede de uma verdadeira interação entre o quadro e o observador. Reversibilidade do sujeito e do objeto. Conjunção da liberdade do olhar e dos limites impostos pelo quadro que “já esta ai” e do qual, se vai, progressivamente descobrir a estrutura, a dinâmica e a disposição das cores. Trata-se de uma verdadeira “invenção” (in-venire), uma vez que se faz à luz um sentido que é interior que é próprio do “quadro”.
MICHEL MAFFESOLI
07h00 da manhã, o Vinícius acordando novamente a gente, ele brinca, ele mexe no nosso nariz, beija, abraça. Eu sempre canto aquela música do jacaré para ele nas manhãs de domingo. “Eu conheço um jacaré Ele gosta de comer Esconda as suas orelhas Senão o jacaré Come suas orelhas E o dedão do pé” Hoje o Vinícius está um pouco irritado, achamos que pode ser dor de ouvido. Estamos dando Calcilam e Novalgina Xarope, que é a única coisa que ele toma sem muita briga. Mas o resto do dia ele brincou muito com o Lucas e a Carolina sua prima. Dormiu as 10h00 depois de ter comido o tradicional pão doce.
Vinícius conheceu hoje a sua nova professora. Assim que chegou trazido pela tia me pareceu meio desconfiado. Quando passou pela sua antiga sala, deu trabalho para fazê-lo subir para sua atual sala. Com dificuldade o levamos até o refeitório, todos os alunos da sala já estavam tomando lanche. Vinícius engordou um pouco. Fomos ao parque e ele se comportou exatamente como antes, indo a todos os brinquedos. Na sala olhou todos com desconfiança, afinal todos os seus colegas eram do ano anterior. Mas pareceu se acostumar rapidamente com o novo espaço, no ano passado ele ficou na sala de latinha. Parecia um gato passando o rabo pelos cantos.
Algumas pessoas deveriam ler e reler o texto Esperançamos, principalmente a frase “semear Boas Perguntas”, desta forma não fariam perguntas idiotas, ficariam de boca fechada, já que quando não se tem o que falar é o melhor a se fazer.
PERGUNTA : ------ no que pode acrescentar para uma criança como essa ficar mais um ano na Emei?RESPOSTA : ------- pergunta idiota não merece resposta.
Março/2004
Vinícius no primeiro dia que foi para casa de vai e volta gostou tanto que não quis descer da perua, o que deixou a senhora Ju e sua filha assustadas, pois ficaram com medo de pegarem nele (será que pensaram que ele quebra ao ser tocado?) e principalmente porque não tinha ninguém esperando por ele no portão, mas também não sei para que tanto drama era só buzinar.
Março/2004
Vinícius voltou das férias muito safadinho.
Antes não dava beijos.
Depois virou um tremendo beijoqueiro.
Agora tomou gosto pela coisa e agora deixar-mos ele beija na boca.
Março/2004
Vinícius hoje estava dado a chiliquis. Mas quando a perua do v e v chegou, a Simone falou:- -- Oh! Vi a perua chegou. Ele simplesmente levantou do chão, passou a mão pelas lagrimas de crocodilo e foi tranqüilamente com a Paloma. Ficou eu e a Simone se sentindo duas trouxas, e olha que não era de roupa.
Março/2004 Vinícius chegou e já tentou ir para o parque, hoje ele veio com o primo, que já deve estar de saco cheio com as malcriações do Vi. Mas especialmente hoje o primo não estava com muita paciência. Sem um pingo de delicadeza pegou o Vi como se fosse um Pit Bull, tirou o chinelo do pé e bateu duas vezes no chão, o susto foi tão grande que Vi levantou do chão na hora e foi para o lanche sem ser arrastado. Neste dia não aprontou nenhuma gracinha. SERÁ QUE ELE APANHA EM CASA?
MARÇO/2004
Na semana passada Vi faltou alguns dias para fazer um tratamento dentário. Teria que ficar alguns dias no hospital, pois iria tomar anestesia geral. Segundo sua mãe era por causa dessa dor que ele se batia. Bom agora ela vai ter que arrumar outra desculpa, se o Vi continuar a se bater.
Abril/2004
Já faz um bom tempo que Vinícius arrumou os dentes e ainda continua a se bater. A nova dele agora é cuspir na gente, brigamos com ele mas acho que ele pensa que estamos brincando. De vez em quando Vinícius vem de bermuda então percebemos que suas pernas estão repletas de marcas de feridas. Disseram que ele é alérgico a picadas de insetos. Fico imaginando a quantidade de inseto para deixar tantas marcas e também por ninguém passa nele um repelente?
As vezes tenho quase certeza que Vinícius entende e compreende muito mais do que a gente imagina. Quando ele fica irritado com a Simone ele só quer ficar comigo. Ele já fazia isso no ano passado com a Jane. Quando ele faz birra é só a gente dizer que vai chamar o Gê que ele fica todo desconfiado e obedece rapidinho, mas ultimamente não esta dando resultado, acho que ele percebeu que não é verdade.
A sala da Simone parece que finalmente descobriu o Vi, não todos é claro.
EXEMPLO: O aluno Jair tem quase a metade do tamanho do Vi, ele monta, empurra e tenta só tenta segurá-lo, mas acaba sendo arrastado pela sala como se fosse um brinquedo. A aluna Isabela tem tanto medo do Vi que quando ele esta perto dela, só não voa porque lhe faltam as asas.
Outro dia Vi resolveu ir para sala, quando deveria ir para o parque. Nem eu nem a Simone vimos a fuga do incrível Vi. O sr Carlos viu e foi atrás, mas não conseguiu trazê-lo de volta. Ele se segurou no corrimão da escada de tal forma que nem passando sabão conseguiríamos tirá-lo de lá.A Simone o levou para sala, neste dia não quis saber nem de lanche, nem de parque.
De repente Vinícius começou a querer sair da sala, para ir nem ele sabe onde. O engraçado que quando ele chega quer ir direto para a sala, to começando a desconfiar que ele quer é ficar sozinho com a Simone, espertinho ele, ne?
Até o momento Vi bateu apenas em um aluno, mas tudo tem limite até para o Vi, ele foi provocado. No dia em que houve a reunião do Grupo de Inclusão, Vi estava tão carente que foi um custo sair da sala. Justo neste dia Vi decidiu que eu era o amor da sua vida, não queria me largar de jeito nenhum. Neste dia ele estava muito carente me abraçou com tanta força que foi um custo sair da sala. Depois que sai, a Simone disse que ele chorou. É lógico não conseguia agarrar a loira.
Vinícius chegou já querendo ir embora. Estava com a testa machucada, apesar de que ele vive com a testa machucada, mas era um machucado diferente. A tia dele disse que não sabia o que tinha acontecido, o que não é nenhuma surpresa, ninguém nunca sabe de nada. Depois que percebeu que não iria embora, pegou uma salsicha e foi comer, como se nada tivesse acontecido. No parque ficou brincando no escorredor.
Vinícius fechou o mês com chave de ouro, deve ter se empolgado com as olimpíadas e decidiu correr os 50m. Conseguiu escapar do primo no escadão e sumiu.O primo chegou aqui parecendo uma vela branca sem saber ao certo onde estava o fujão. Depois de muita procura foi encontrado na cachoeira todo melado de lama. Pensando bem todos os alunos do canavó conhecem a cachoeira, menos o Vi. Bom, ele resolveu ir sozinho, não sei se gostou.
No fim do mês de setembro Vinícius chegou na escola e percebemos que ele não estava bem. No lanche não quis comer, no parque estava com comportamento estranho, a professora tentou se aproximar e quase foi nocauteada, de início pensamos que ele tinha feito xixi nas calças, mas chegando perto sentimos o cheiro do número dois. Simone o levou até o banheiro e deu um banho nele, depois ele se acalmou e voltou para sala. No dia seguinte não veio, ficamos sabendo que estava doente e que o fato ocorrido não foi apenas uma dor de barriga. Após dois dias liguei na casa dele e a avó informou que ele continuava doente, mas que estava medicado. Ficou em casa por duas semanas, foi melhorando e já voltou para escola.
Obs: no dia do fato ocorrido, depois do banho, a Simone não quis o costumeiro chazinho de todos os dias!
Não sei por que, ou sei ?
Hoje Vinícius não queria sair do parque, foi uma luta. Fez birra e quando obedeceu foi meio que forçado.Depois lembrou que já fazia muito tempo que não conseguia me bater, me distrai um segundo e ele me deu um toem que por pouco não me arranca um lado da orelha. Eu em ! Não sei paraque tanta violencia !
Hoje o Vi esta pior que ontem, de repente começou a chorar, tentamos agradá-lo,como agradecimento tentou nos bater. Pelo menos serviu para testar a agilidade da Simone.Meu! Esta super rápida,até parece o ligeirinho. Só rindo mesmo !
Hoje a profª. Simone não veio, o horário do Vi é as 09h00, mas ele chegou as 08h00, até as 09h00 ele ficou com a profª. Sueli, depois até as 10h15 com a profª. Rita e o tempo restante comigo. Tudo isso aconteceu sem ser comunicado ao Vi, então ele resolveu dar um basta e não quis de jeito nenhum entrar na sala de S.A.A.I, e não entrou mesmo. Durante o período que ficou comigo, ficamos na sala de vídeo, lá ele encontrou uma garrafa de água e jogou tudo no chão foi uma lambança. Depois tentou me bater, não conseguiu então começou a se bater, depois caiu num choro, se alguém entrasse naquela hora pensaria que ele tinha apanhado, chorou tanto que molhou todo o rosto, fora a baba, parecia até um filme: “entre babas e lagrimas”. Do mesmo jeito que começou parou e ficou olhando para um ponto qualquer da sala. Quase na hora de ir embora começou a rir, ria sem parar. Veio na minha direção, se jogou no meu colo e lá ficou até a Paloma chegar. Da para entender o ser?
PAULO
Vitória é aluna da professora Jane, dos alunos de inclusão ela foi a primeira a chegar, parece uma bonequinha de filme japonês, mas é tão chatinha. Tudo ela não pode, mesmo a gente vendo que ela tem condições pra fazer, é sempre a mesma ladainha: --- a minha mãe falou que é pra você fazer pra mim. No primeiro dia fiquei com ela no lanche e dei tudo na boca e ela muito esperta ficou quietinha. A profª. Jane viu e disse que não precisava, que ela podia comer sozinha. No dia seguinte fiquei perto dela, quando ela percebeu que não teria comida na boquinha, comeu tudo numa boa. Agora até as mãos ela lava sozinha, apenas pra beber água é que damos para ela um copo. No parque só queria ficar no gira-gira, mas ai a Jane começou a leva-la em outros brinquedos, agora ela vai em todos sozinha. Agora na hora de fazer as atividades haja paciência. Oh preguiça. Ela fica muito com a aluna Micaela, mas desde que chegou o aluno Flávio, ele é o seu amigo preferido. É até engraçado, qualquer coisinha ela chama por ele e lá vem ele correndo pra socorrer a dama em perigo. É vitória pode não ser boa das pernas, mas os olhos enxerga bem que é uma beleza. Com o tempo Vitória saiu da posse de coitadinha e começou a se virar sozinha, a gente só precisa tomar cuidado para os outros alunos não esbarrarem nela, pois ela cai muito facilmente. Ela faz tratamento na AACD e de vez em quando mostra pra gente os exercícios que faz lá. No meio do ano tínhamos outra Vitória, já não era mais chata, mas sim uma graça de menina.
RELATO DA PROFª MARILENE
A Profª. Marilene disse-me outro dia que já teve em sua sala uma criança de inclusão. Mas não teve nenhum tipo de ajuda. Colocaram-na numa sala bem no fundo da escola, acho que já de propósito para “ela” não incomodar ninguém. E com tudo isso, a criança ficava todo o período com ela. Quando precisava de qualquer coisa, tinha que ir buscar e levar junto a sala toda, não dava para arriscar deixa-los sozinhos. Chegou a perder o sono, pensando no que faria no dia seguinte, mas mesmo com toda dificuldade e a falta de ajuda, garantiu que valeu a pena e que foi muito gratificante.
Quando ela ficou com o Alison só por duas horas quase não acreditou.
Se ela ficou sem ajuda por quatro horas, já que ninguém ia na sua sala sequer para ver se todos estavam vivos, duas horas esta sendo moleza (e é ela quem diz isso).
Deve ser verdade, pois só vive sorrindo.
No ano passado eu já ajudava a Profª. Sueli com o Paulo, depois a Profª. Roseli perdeu a sala e passou ajuda-la só ficava com a sala quando faltava alguma professora e a Roseli assumia a sala. No começo eu ficava com o Paulo e a Sueli com a classe, depois ela disse que estava errada, então ela passou a ficar com o Paulo e eu com a classe, até terminar o lanche, depois íamos ao banheiro e logo em seguida ao parque. Não era uma tarefa difícil, pois a classe era excelente, além de ajudarem a professora, eles faziam quase tudo sozinhos.
Este ano de 2003 continuamos fazendo a fazer igual ao ano passado, a prof.ª Sueli com o Paulo e eu com a classe, só que agora o Paulo vai junto ao banheiro, de vez em quando a Sueli desce com ele na frente, mas quando esta junto com a turma não tenta mais fugir, entra direto para a sala e ainda guarda o próprio copo. O mais engraçado é que ele esta sempre tentando que nos duas fiquemos juntas, é como se fosse só nos três, sem alunos.
O Paulo não costuma bater nos coleginhas, no entanto um dia ele chegou com a macaca, beliscou a Sueli, pisou no meu pé , que arrancou o couro, também beliscou a estagiara que estava na sala, esta sumiu, nunca mais apareceu. Quando a Deci chegou a Sueli contou o que tinha acontecido, ela olhou serio para o Paulo e disse que em casa conversariam, Paulo não voltou a repetir o acontecido.
Um dia no parque tinha uma menina chorando, ela chorava tanto que seu rosto estava todo molhado, Paulo ficou olhando, depois passou a mão pelo rosto da menina, ficou olhando a mão molhada e passou a mesma pelo próprio rosto. No dia seguinte, assim que chegamos ao parque a primeira coisa que fez foi procurar a menina que tinha chorando no dia anterior e passou a mão de novo pelo rosto dela, como não estava molhado perdeu o interesse.
No parque ele se interessa cada vez mais pelos brinquedos, mas do jeito dele, é um segundo e pronto, já esta em outro, até parece o homem invisível.
Paulo adora brincar com a casinha de madeira da profª. Luciene. Acho que ele vai ser engenheiro. Mas não gosta de brincar com outras crianças. Ele acaba ficando irritado.
O Paulo é muito engraçado,
A profª. Sueli pede pra ele pegar a chave que esta comigo.
Ele chega onde estou agarra meu braço e me leva até ela.
Ele é um homem de poucas palavras.
No dia da festa junina o Paulo estava presente, parecia um autentico caipira.Brincou, dançou, foi em todas as brincadeiras, mas o que lhe chamou a atenção foi o aparelho de som. Sentado de frente ao aparelho queria trocar de música a cada segundo. Quando começou a escurecer ele passou a ficar impaciente felizmente a mãe dele lembrou da mudança de horário e 18h00 estava no portão para pega-lo.
Lembrete: em dias normais ele entra as 15h20 e sai 16h20.
Paulo voltou das férias um mais magro e mais alto, Não estranhou a mudança de sala.
Lembrete: escola em reforma.
PASSEIO NO HORTO FLORESTAL – 02/10/2003.
A mãe do Paulo finalmente o deixou ir a algum lugar a qual ela não fosse junta. De início relutou um pouco, mas, depois concordou. Paulo chegou em cima da hora, como sempre se exibindo, porque é bonito e sabe disso. No ônibus não queria ficar sentado, mas depois relaxou e curtiu a viagem. Pode se notar a preocupação da mãe na quantidade de lanche que ela colocou na mochila, talvez tenha pensado que ele fosse bater laje e depois descer pra santos. Ele queria porque queria ficar segurando a mochila, de tanto ele ouvir “segura suas coisas” agora ele não quer largar. Paulo se divertiu muito junto com as outras crianças. Assim que chegamos ao Horto, passamos perto de uma família e o menino estava comendo salgadinho, a mãe falou pro filho oferecer, Paulo quis o salgadinho, mas, educado do jeito que é aceitou apenas um, jogou na boca e saiu balançando o cabelo. Na hora de voltarmos “alguém” atrapalhou o motorista e fomos os últimos a chegar.
ROBERTO
Quando termina o almoço eu peço para os alunos fazerem fila, ele vem junto, mas os alunos pegam na mão dele, caso contrário ele se manda, sempre rindo, parece não ter tempo ruim para ele.
Na sala de aula ele senta em qualquer mesa, não escolhe, o seu melhor amigo é o Matheus, mas, ele andou ensinando coisas erradas para Roberto, então a profª. Adriana procura coloca-lo em outras mesas.
Ele também tem fascinação pela Laila, alias a todo instante ele tenta falar o nome dela. E por sua vez Laila tem muita paciência com Roberto.
Na hora de ir ao banheiro vamos todos juntos, Roberto não gostava de carregar o seu copo, escova e toalha, sempre empurrava para algum colega, como é uma sala muito solícita tinha sempre alguém carregando as coisas de Roberto.
A profª. Conversou com todos e ficou combinado que ninguém ajudaria Roberto, agora além de carregar suas coisas ainda guarda quando chega na sala, mas de vez em quando ele dá um piti e joga tudo pela escada, ai aja paciência.
No parque gosta de ficar no gira-gira e no escorregador.
Ele costumava fugir, mas como não é veloz é pego com facilidade, o problema é quando se joga no chão, ai parece um tanque de guerra.
Teve um dia que ele fugiu e nós fingimos que não vimos, mas ficamos com um olho no gato e outro no peixe, como não chamou nossa atenção voltou desconfiado.
Quando Roberto iniciou na sala da profª. Adriana todos os alunos gostaram dele, menos o João Vitor que evitava todas as formas ficar perto de Roberto.
Um dia a mãe do João veio reclamar, dizendo que o seu lindinho estava com medo do Roberto.
Como Roberto vive fazendo careta, segunda ela seu filho ficava assustado.
Tenho certeza que a maldade estava na cabeça oca dela, afinal seu lindo filho tem os olhos verdes e é “perfeito”.
Nunca forçamos nada para que João ficasse mais perto de Roberto, alias fazíamos questão de deixar Roberto longe dele, afinal ninguém é obrigado a gostar de ninguém.
De repente do nada João começou a sentar perto do Roberto, pegar na mão dele para irmos ao parque, brinca com Roberto e não parece ter medo dele, a mãe não veio mais reclamar.
Um dia a Profª. Adriana Márcia faltou a sala ficou com a Profª. Adriana de Carvalho, pensamos que Roberto fosse estranhar, mas, nem ligou.
Alias foi nesse dia que Roberto resolveu jogar bola.
Ficou no gol e parecia um goleiro com direito a ginga.
Antigamente na hora de ir embora Roberto dava um trabalhão,
Foi preciso muita conversa da parte da profª. Adriana.
Hoje é só a Vitória aparecer na porta que ele pega a mochila,
Da tchau para todos,
Beijos e abraços na Adriana,
(quando estou lá também ganho abraço) e vai embora.
Na sala de aula Roberto não tenta fugir,
Por tanto não há a necessidade de portas fechadas.
Também não sai do lugar.
Às vezes ele falta uns dois dias,
No dia que retorna, na hora de ir embora não quer ir.
No dia seguinte tudo volta ao normal.
Fiquei impressionada
Quando soube que Roberto é adotado.
Como pode ser isso?
Ele parece com a mãe e a irmã?
Roberto voltou com a velha preguiça,
Não quer levar o próprio copo,
Como antes tenta empurrar para alguém.
Como todos foram orientados para não ajudar ele é obrigado a carregar,
Mas faz careta de desagrado.
Roberto é tão preguiçoso que só falta pedir para ser carregado no colo.
06/06/2003
Hoje descobrimos que Roberto conhece ambulância.
Ele viu uma e quase ficou maluco.
Será que ele já andou em uma?
12/06/2003
Roberto não veio na festa junina.
Que Pena !!!!!!!!!!!!!
16/06/2003
Hoje Roberto me fez passar a maior vergonha.
Quando voltávamos
Do parque encontramos a Ana Lúcia
Acompanhada de algumas pessoas.
Estava só eu e o Roberto,
Os outros alunos já estavam na sala com a profª. Adriana.
Enquanto andávamos íamos cantando:
- um dois Roberto com arroz...
Ele se sentia o próprio.
Quando estávamos no portão, as pessoas que estavam com a Ana Lúcia pararam para brincar com ele.
A Ana se abaixou para falar com ele e ele foi direto com a mão na perseguida dela, segurei a mão dele, mas, a outra moça se abaixou também e ele tinha outra mão livre.
Fez isso com a maior cara de sem vergonha e rindo como sempre.
RETORNO DAS FÉRIAS
Roberto voltou das férias mais fofo que antes e parece que parou de passar a mão nos amiguinhos.
Reparei que esta mais careca.
A mãe disse que o cabelo cai quando ele fica nervoso.
Só sei que ele voltou mais aplicado que antes, outro dia pegou a régua, apontou para um cartaz e ficou imitando a profª. Adriana.
Desde que voltou das férias Roberto mudou de horário.
Ao invés de entras as 12h00, agora ele entra as 11h10 e continua a sair as 13h30.
Percebemos que ele chega muito sonolento, caindo pelas tabelas, se deixarmos ele dorme.
A profª. Adriana mudou o seu local de fazer a fila, antes sua fila ficava encostada na parede de sua sala e era lá que Roberto se encostava até quase cair.
Aos poucos ele vai melhorando e quando chega as 12h00 ele já esta mais esperto, ai é que o bicho pega.
Roberto é uma figura muito fofa.
02/10/2003
Roberto foi ao passeio do horto florestal.
08/10/2003
Hoje a profª. Adriana faltou, a sala ficou com a profª. Mª José.
- Assim que Roberto percebeu que não era a profª. Adriana que estava na sala começou a fazer suas gracinhas.
- Não quis sair da sala para almoçar;
- Não quis ir ao banheiro fazer higiene;
- Não quis sair do gira-gira;
- Jogou-se no chão perto da sala nº 05
Na hora de ir embora a Vitória nos disse que ele não come nenhum tipo de lanche.
Ao passar na bica, Roberto parou para beber água, e ai foi a vez da Vitória se desdobrar com as gracinhas do engraçadinho.
Lembrete: esta era a semana das crianças, o almoço foi substituído por lanche.
11/10/2003
Nos dias 9 e 10 Roberto faltou, com a profª. Adriana no dia 11 também não quis o lanche.
Neste dia a Conceição esquentou um pouco de arroz para ele.
Ele ficou o tempo todo olhando para o Self-Servic.
RELATÓRIO profª. Adriana
- Almoçou
- Entrou em baixo da mesa no refeitório
- Hoje estava mais irritado
- No parque brincou no gira-gira e trepa-trepa
Embora eu saiba que Roberto não tem consciência do que diz, devemos ensiná-lo.
Brincando no tanque de areia, Roberto, Laila e Asley começaram a jogar areia um no outro e um deles jogou areia na cabeça de Roberto, fiquei muito brava com eles e tirei os três do tanque.
Roberto percebeu que a brincadeira não foi legal e ficou repetindo o que tinha acontecido.
Neste dia ele aprendeu a falar o nome do Asley.
Lembrete: o que a profª. não relatou foi o que aconteceu durante os minutos que ele “tentava” tirar Roberto do tanque. A mão dele parecia um ventilador, jogando areia para todo lado, na sala teve um aluno que Adriana teve que lavar a cabeça dele, de tanta areia que o coitado tinha na cabeça, a própria Adriana ficou repleta de areia.
Como era um assunto entre professora e aluno, preferi não me intrometer.
RELATÓRIO feito pela irmã (Vitória)
Quando chega o fim de semana, Roberto não quer saber de ficar em casa quando acorda a primeira coisa que fala é “mamãe”, e quer ir para o bar onde ela está.
Quando chega lá, ele pega o taco para brincar de snooker e quando não damos as bolinhas, ele dá cada berro que o único jeito é entregar a ele as bolinhas, depois ele senta e quando as pessoas passam, ele coloca o taco no meio para elas caírem.
Lembrete: aqui na escola Roberto também faz birra, mas nos não cedemos depois ele costuma chorar, chama pela mãe e depois se acalma.
VINÍCIUS X ROBERTO
É muito engraçado se formos fazer algumas comparações entre Vi e o Beto no primeiro dia de ambos.
Vinícius olhou a tudo e todos com desconfiança e cara feia.
Roberto olhava a tudo e todos com curiosidade e sorrindo sempre.
Na sala, nenhum aluno se atreveu a chegar perto do Vinícius, mesmo a Simone pedindo para um ou outro ir brincar com ele.
No parque Roberto até sumiu no meio dos alunos, todos queriam passar a mão na barriga ou na careca dele.
Roberto tem grande facilidade em conseguir aglomerar multidões em sua volta.
Roberto chegou sorrindo, como sempre, a profª. Débora ficou segurando a mão dele. Este ano ele esta chegando as 11:00 e continua saindo as 13:30. Quando viu a profª. Adriana ficou olhando para ela, igual a um cachorrinho que perdeu o dono.
Aceitou sem problemas a nova profª. E os novos colegas.
Hoje não deu trabalho para sair do parque, esperamos que seja assim durante todo o ano.
Esta mais careca e bem mais gordo.
O ano passado ele tinha a mania de roer as unhas, só que agora esta roendo muito mais, algumas unhas chegam estar em carne viva.
Mas, continua Pop Star, sempre chamando a atenção.
O inicio de Roberto com a Professora Débora foi muito engraçado ou trágico não sei, só sei que depois de ficar um ano com a professora Adriana pensei eu que a Débora já sabia de como a gente tratava o bolo.
De inicio eu continuei igual era com a Adriana: na hora do almoço eu fiz a fila com todos os alunos e a Débora ficaria por ultimo traria Roberto e fecharia a porta, na hora que sentamos para almoçar eu dei uma olhada no refeitório e não vi Roberto, perguntei para prô: ___ cadê o bolo ?
E ela surpresa : _____ você não trouxe ele ?
Saímos correndo pra sala de aula, e o bolo estava lá dentro batendo na porta.
____ toc, toc
____ oh, oh
Já vi gente bater na porta pra entrar, mas pra sair foi a primeira vez.
Março/2004
Roberto já começou a aprontar.
Primeiro ficou olhando para a profª e sorrindo.
Depois percebemos que ele fazia um gesto com o dedo por baixo da mesa.
Levou uma bronca, ficou desconfiado e parou.
Março/2004
Roberto no parque ficou brincando no escorregador, igual ao ano passado não escorregava, apenas empurrava os outros alunos.
Chegando perto percebi que ele não apenas empurrava os alunos, mas também apalpava tudo que era bumbum e estava se divertindo a valer.
Tomou uma bronca, ficou sentado perto da árvore desconfiado, acho que pensando na vida.
Março/2004
Roberto deu uma bolada num colega no parque e foi de propósito.
Tomou uma bronca.
Ficou de cabeça baixa um bom tempo na sala.
Obs: ficar de cabeça baixa quer dizer que ele esta arrependido.
Março/2004
Roberto detesta se sujar, hoje foi macarrão seu prato predileto, e ele acabou sujando a camiseta com o molho, quando sua mãe veio buscá-lo, ele não parava de mostrar a camiseta suja pra ela.
Roberto de vez em quando toma uma sova da mãe, mesmo assim é muito mimado pela família, hoje seu irmão Marcelo veio junto com a mãe.
E sabe como Roberto foi embora? Montado nas costas do irmão mais velho, e parece já estar acostumado, pois subiu com uma agilidade.
Abril/2004
Roberto as vezes parece um bebezinho, chora e chama pela mãe.
Hoje ele estava impossível.
- começou a chorar assim que chegou, a profª que não conhecia as manhas do gato ficou preocupada, pois quando ele quer chega a virar os olhos, quando conseguiu atenção geral começou a rir.
- no parque as crianças baixaram as calças dele, pensa que ele ficou bravo? E não e que ele gostou! Ficou com aquele bundão de fora e ainda fazia pose de mister universo, levou uma bronca e o resto da sala também.
-quebrou o próprio copo e ficou rolando pelo chão como se fosse uma bola e uma bola grande.
Ainda bem pra nos que o dia do Roberto acaba mais cedo.
Abril/2004
Ultimamente Roberto anda muito saidinho, ele é muito inteligente e percebeu que as pessoas ficam felizes quando ele lê as letras do alfabeto sem errar uma letra, melhor que muitos alunos da sala, penso que as vezes ele faz por deboche.
Quando foi colocado o computar na sala 06, deixamos Roberto usar o computador, mostramos o teclado, as letras e como usá-lo, mas Roberto tem a mão muito pesada e ao invés de digitar uma letra, saiu um monte de jota, ele arregalou os olhos, olhou para mim e apontou o dedo para a tela e disse : ___ é o jota?
Abril/2004
Voltando do parque Roberto com suas gracinhas se jogou no chão. Eu estava segurando sua mão e quase fui ao chão com ele.
Quando ele faz esse tipo de coisa é muito difícil tirá-lo do lugar, então eu sempre chamo o Sr. Carlos para me ajudar, porque Roberto parece pesar cem quilos.
Maio/2004
Roberto esta doente, vai ficar uma semana em casa de molho.
Junho/2004
Roberto anda muito sem graça.
Decidimos não mais rir de suas brincadeiras, os alunos também, quem ri leva bronca.
Ele acaba ficando sem graça e volta para seu lugar.
Agora deu para sair correndo do parque e dar volta em torno da escola, mas é facilmente pego, pois é pesado e não consegue correr rápido.
Tentamos um dia deixar ele correr, mas o danado foi em direção do portão e quase fugiu.
Desistimos de deixar o bolo correr a vontade, principalmente depois que a mãe dele disse que ele já tentou sair de casa ao encontrar o portão aberto, levou uma surra, mas ele dos tais que apanha e tenta outra vez.
Agosto/2004
Roberto hoje na hora da higiene, resolveu que iria posar para revista gay.
Entrou no banheiro, levantou a camiseta, baixou a bermuda e a cueca, depois tive a honra de ver a sua primeira pose, na verdade fui uma vitima.
_______ Oh ! Oh ! olha
_________ Oh ! Oh ! olha
E tive que olhar.
Agosto/2004
Roberto esta cada vez mais careca.
Dá para ver a diferença nas fotos tiradas no ano passado, no começo deste ano e as mais recentes.
Agosto/2004
Já faz um bom tempo que Roberto anda aprontando e é sempre na hora do almoço.
Também as pessoas que cuidam do almoço dele riem das gracinhas que ele faz!
Ou então ele resolveu fazer um regime rigoroso e ninguém entendeu.
Outubro/2004
Roberto deu uma melhorada nas gracinhas que andava aprontando, também é expressamente proibido qualquer pessoa rir das suas gracinhas, com Roberto tem que ser assim oito ou oitenta.
O tempo vai passando e Roberto fica mais careca, em alguns pontos da cabeça ainda tem cabelo, mas estão sumindo.
Roberto hoje veio com a mãe, perto dela o bolo se transforma, não faz gracinha, não foge, parece um anjinho.
Novembro/2004
Na hora do almoço joga comida nos colegas, não obedece a Laurice, Senhor Carlos ou a Cecília. (Também é aquilo que eu já tinha falado, ficam achando graça em suas palhaçadas!).
Na hora de sair do parque se gruda no gira-gira e só por Deus para tirá-lo de lá, mas não damos moleza, volta para sala quase que arrastado. Na higiene não esta indo mais, tudo para Roberto tem que ser alem da conta, ele simplesmente não consegue fazer algo e quando terminada voltar para sala, não, tem que ficar.
O único lugar que ele não dá trabalho é dentro da sala de aula, porque de lá ele não tenta sair, é quando se joga no chão a gente deixa e ele acaba voltando para seu lugar.
Outro dia na tentativa de trazer ele para sala a camiseta dele rasgou toda, ele ficou apenas com a cola e um pedaço da manga. Foi colocada outra, mas só tinha de seis anos, a camiseta entrou, mas além de ficar apertada ainda ficou em cima do umbigo.
IAGO
Fevereiro /2004
Fevereiro /2004
Hoje percebi que Iago não tem um pingo de consideração para com os colegas.
Fevereiro / 2004
Fevereiro / 2004
Março / 2004
Março/2004
Março/ 2004
Março/ 2004
Março/2004
Abril/2004
Junho/2004
Iago é o Iago e não tem definição. Depois de tantos meses juntos, ele me parece mais um cãozinho abandonado, se ele tinha que melhorar esta ótimo.
Agosto/2004
Agosto/2004
Iago esta totalmente mudado. Não precisamos ficar de olho nele o tempo todo.
Setembro/2004
Iago chegou e parecia um furacão, querendo fazer tudo ao mesmo tempo, beber água, fazer xixi, correr, não conseguia ficar quieto. Em menos de meia hora pediu pelo menos umas dez vezes para ir ao banheiro. Deixamos ir uma vez, depois a resposta era sempre a mesma, não. Ele obedeceu uma vez, depois simplesmente avisou que ia beber água. Cada vez que saia eu o buscava de volta. Acho que cansou, pois parou de pedir ou tentar sair. No parque não quis brincar, pois coelho na toca teria que ter um caçador, que no caso seria ele mesmo. Saiu do parque sem pedir, a profª. Vivian foi buscá-lo e ele teve que ficar sentado na sombra, ficou lá de má vontade. Subi com ele para sala e tentei explicar que não podia sair da sala, do parque ou de qualquer outro lugar que estivesse com a professora ou comigo, sem pedir. Ele disse que entendeu, mesmo assim pediu para ir fazer xixi. Não respondi então ele disse que ia beber água, mas que voltaria, continuei sem responder, então ele disse que estava cansado, que tinha que ter um copo e se eu sabia que ele era o incrível Huck.
Iago quando entra na sala de aula, a primeira preocupação é com os brinquedos. Procura sempre sentar perto deles, e já começa a perguntar se pode brincar com este ou aquele. Parece que ele vem para a escola apenas pelos brinquedos. Mesmo assim após uma semana de aula, a duras penas estamos conseguindo manter Iago longe do banheiro e dos brinquedos.
Outro dia Iago queria de qualquer forma o brinquedo do colega, era sexta-feira dia em que o aluno pode trazer um brinquedo de casa. Perguntei para ele porque não trouxe o seu. Disse que a mãe não deixa. Perguntei se ele costuma brincar em casa. Deu de ombros.
Fevereiro /2004Hoje percebi que Iago não tem um pingo de consideração para com os colegas.
- Não pede licença;
- Empurra sem necessidade;
- Não tem paciência para esperar sua vez;
- Tem que ser sempre o primeiro;
- Tem que ser o centro das atenções;
- Quer sempre falar mais alto
- Quando contrariado, se for com criança tenta bater, se for com adulto fica de bico.
As vezes sinto saudade de quando só o encontrava na saída.Juntos por mais de uma hora é dose, ninguém merece, e ainda estamos em fevereiro.
Iago esta mais tranqüilo achamos que ele irá aos poucos conseguir ficar dentro da sala e não ir tanto ao banheiro fazer xixi, ou beber água. O mais difícil é ficar longe dos brinquedos e brincar na hora certa. Quando ele pega um brinquedo e mandamo-lo devolver, sempre responde que estava só olhando. A impressão é que quando ele devolve o brinquedo alguma parte do corpo dele dói.
Parece irreal, mas já dá para perceber algumas mudanças em Iago. Já não pede tanto para sair da sala. No parque não esta mais fugindo para dar suas voltinhas. Esta conseguindo com alguma dificuldade seguir na fila, sem que seja o primeiro. Esta pedindo licença aos colegas, mas falta sinceridade.
Todo dia após o parque os alunos vão beber água, não todos juntos, vão por mesa, no máximo quatro de cada vez. Sempre é a mesma ladainha, cada mesa que sai, Iago pergunta: ---- posso ir ? Como a gente sabe que vai acontecer isso, deixamos sempre a mesa dele por último. Hoje ele ficou quieto, não disse nada, quando chegou a vez da mesa dele, os outros alunos saíram e ele ficou, então falei para ele ir , ele respondeu :--- não quero. A Vivian e eu quase tivemos um treco.
Hoje a Vivian deixou Iago na sala com outros alunos para irem ao parque por último. Assim que a Vivian saiu Iago disse que ia pro parque e foi em direção a porta. Disse para ele que podia ir se quisesse, que estava por conta dele, que a porta estava aberta. Virei às costas e conversei com os outros alunos.Quando virei para sair com os outros alunos, Iago estava lá parado na porta,de bico, com os braços cruzados, mas estava lá.
No parque a profª. Vivian fez a brincadeira do coelho sai da toca outra vez, desta vez com o caçador,como Iago queria, ele sendo o caçador. Mas quando foi a vez dele ser coelho não quis mais brincar. Depois teve a cara de pau de dizer que ia ajudar, só não descobrimos em que.
Iago faltou três dias na semana passada, estava com Pneumonia. Veio com a mãe um dia para entregar o atestado. A mãe perguntou se podia deixá-lo para brincar no parque, dissemos que não. Quando algumas crianças disseram que estava com saudade dele, a mãe olhou para a Vivian com um sorriso que mais parecia uma careta e perguntou desconfiada: ___ eles gostam dele?
Março/2004
Hoje Iago chegou se sentindo cansado, mas na sala quando a colega Cíntia o irritou não teve dúvida,mandou um murro na boca dela, depois ficou de bico quando levou uma bronca.
Hoje na sala da Vivian, um aluno Petterson falou para mim que seu primo tomava Gardenal e que ficava calminho e dormia. Perguntei para ele porque estava dizendo isso. Ele respondeu que a gente podia dar o mesmo remédio para Iago.
Estamos na metade do mês de abril e posso afirmar com certeza que Iago deixou de lado aquela loucura do ano passado que só queria saber de brinquedos e ir no banheiro a todo instante, sem contar que ele andava pela escola inteira antes de voltar para sala de aula. Ele faz qualquer atividade, não podemos dizer que é uma maravilha, mas esta se esforçando, o problema é que faz rápido demais ou de qualquer jeito e fica com muito tempo livre para atazanar os colegas. No parque esta brincando muito mais que no começo do ano e não sai mais sem pedir e mesmo quando pede para beber água ou fazer xixi não esta demorando, é lógico que continuamos com um olho no gato e outro no peixe. Outra coisa que mudou também é que antes ele esperneava e teimava, afinal era o incrível Huck, agora abre o berreiro, até parece um cabrito. Acho que Iago mesmo sendo o Huckjamais pensou em encontrar pela frente duas mulheres maravilha.
Iago é o Iago e não tem definição. Depois de tantos meses juntos, ele me parece mais um cãozinho abandonado, se ele tinha que melhorar esta ótimo.
- Não fala mais tão alto;
- Não empurra;
- Não quer saber só de brincar;
- Não fica pedindo para ir no banheiro a todo instante.
Recordar é viver.. E Iago hoje resolveu relembrar o passado fazendo birra. Resultado ficou sem parque e chorou.
Iago esta calmo, só que ainda sente necessidade de chamar atenção. Antes ele não trazia brinquedo.Trouxe hoje, só que não é dia de brinquedo.
Iago esta totalmente mudado. Não precisamos ficar de olho nele o tempo todo.
- Nunca mais fugiu do parque;
- Nunca mais tivemos que ir buscá-lo
- no banheiro ou em qualquer outro lugar;
- Não briga mais para ser o primeiro da fila;
- Também acabou aquela loucura por brinquedos.
Acho que Iago não tem mais necessidade ser o incrível Huck, apesar de ter fascinação pelo verde,mas isso eu também tenho.
Não estou ficando tanto na sala da Vivian, só se ela me chamar para ajudá-la em alguma atividade. como Iago não esta mais saindo da sala, esta tudo calmo. Só que quando eu chego na sala parece um pandemônio e em vez de ajudar acabo atrapalhando.
LUCAS
Lucas é aluno da professora Ana Paula, no horário das 11h00 às 15h00. Não precisa de acompanhamento, é calmo tranqüilo e não há necessidade de segui-lo a toda parte. Ele acompanha a professora e os alunos sem problema. Lucas é inteligente e engraçado, mas também muito teimoso. Não esquece nada que lhe dizem e se prometer algo pra ele é melhor cumprir, pois ele cobra. Em poucos dias de aula já sabe os nomes dos funcionários e de todos os colegas de sala. Também conhece as horas em qualquer tipo de relógio. A avó nos pediu para colocar comida para ele, pois tem um lado do corpo um pouco adormecido e por esse motivo não tem força o suficiente para segurar o prato e pode derrubar, isto ainda não aconteceu e ele continua colocando a própria comida. Ele fica muito nervoso quando tenta fazer algo e não consegue. Na sala de SAAI ele fica com a Bia e a Grazielli. Outro dia vi ele jogando bola com a profª Sueli, no meu time ele não joga.
VITORIA



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